- um rapaz de trinta anos joga video-game vestido de super-homem. Na tela, um video porno? um jogo de super-heroi? um game de luta livre, street fighter?
- um rapaz negro e baixinho usa um suspensório sem camisa, calça social e sapatos. um filósofo dos trópicos.
- uma atriz porno adentra a cobertura dos dois rapazes, ela traz na bagagem a sua imagem-espetaculo, virtual
- enquanto isso, um rapaz transa com um homem-bomba num motel com um video porno passando na TV: UM HOMEM DE 3 METROS E 60 COM UM PENIS DE 1 METRO E 10 COME VINTE E OITO MULHERES LOIRAS COM BUCETAS DE OURO.
- enquanto isso, um rapaz abre a porta de um carro e sai correndo pela avenida principal da cidade de noite. chega em casa esbaforido, pega sua alma e começa a escrever.
- enquanto isso, uma menina quer ser igual a uma menina que quer ser igual a uma menina que quer ser igual a mulher do big brother que quer ser igual a mulher da capa da revista que quer ser igual a mulher da capa da revista do mes passado que é igual a imagem da menina que quer ser igual a uma menina que quer ser igual a uma menina que quer ser igual a mulher do big brother que quer ser igual a mulher da capa da revista que quer ser igual a mulher da capa da revista do mes passado que é igual a imagem da menina, da Menina, MENINA
- MENINA: rosa, lacinho, minney mouse
- uma camera filma os detalhes dos meus dedos porque a distancia do palco ate a ultima plateia é muito grande.
- enquanto isso um rapaz projeta em um alguem imaginário um amor-espetaculo, perfeito
- Quando o rapaz preto de suspensorios mata a atriz porno, ele quer transformar sua imagem em uma outra, criar um objeto de arte contemporanea. igualar uma pessoa a uma marca. E nao sao iguais? amabas sao objeto de fetiche e de fome.
- Era isso? Era isso entao? Tóquio é que cor? vermelhorosaamareloluzpiscandodourado?
- O meu projeto de vida, é de que cor? dourado com purpurina? A minha privada é enfeitada com lantejoulas?
- enquanto isso, dois irmaos de dois anos, gemeos, comem um bolo de aniversario com a foto do picachu. eles se lambuzam muito, os cantos da boca cheios de açucar. Eles lambem o dedo, eles colocam a mao no umbigo e sentem um cheiro bom. Eles se masturbam assistindo pokemon, gozam e porvam a propria porra. é gostoso, um acalento.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
31 de dezembro de 2010
Meu irmão, de calça roxa cintilante, brincava com maestria, até que por um descuido sem motivos
se desequilibrou. À medida que ele ia caindo, os crocodilos foram diminuindo de tamanho, ficando pequeninnhos, assim como meu irmão. Crocodilos e irmão cabiam na palma da minha mão. Quando ele finalmente caiu, peguei bichos e homem, fechei a mão bem forte e os coloquei no bolso.
"Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase..."
Levanto. Um homem de terno chega. Eu parto sua mão.
Bicho e homem no meu bolso.
Um novo segredo, uma eternidade
Raiz derrete?
Aquela cidade é cinza, eu juro. Para quem você está jurando? Aquela cidade, ela é cinza. O mar, ele faz parecer que ela é hidratada e o sol faz parecer que ela pode vir a derreter, virar água, mais água, um porre de água salgada em meio a confetes e serpentinas, mas não. A minha pele é parede e concreto e eu talvez viaje pra São Paulo. Eu juro, se você olhar para os morros e eles parecerem sépia, um cartã-postal, você vai sentir um frio na barriga que se parece um pouco com angustia. A angústia provavelmente vai fazer você andar pelas ruas de braços cruzados e, aos poucos, o frio da barriga se transforma em quente-bom no peito. Você volta a olhar os morros e eles estão lá, um cartão-postal. Continua a andar, então, e vai ver, eu juro, você está passeando por uma foto antiga. O passado é confortável: Meias de lã, chocolate quente, edredon. Nesta cidade faz um frio de rachar os ossos, ossos brancos. Você jura? Para quem? Por quem? Eu juro pelo silêncio que eu nem tenho mais ouvido e que as vezes desconfio se ele ainda está lá, fazendo barulho. Eu juro pelos dentes mordendo o lábio de baixo sempre a partir de uma determinada hora do dia. Juro pelos óculos embaçados, pela saudade do cheiro no cabelo. Eu juro pela saudade do cheiro no cabelo que eu nem tenho mais sentido e que as vezes desconfio se ela ainda está lá, andando de braços cruzados. Não. Minha saudade do cheiro no cabelo andava de mãos espalmadas, tateando o lençol-cara-amarrotada, procurando a caneca-bom-dia e sorrindo ainda de olhos-fechados-janela-aberta. Aquela cidade-folha-de-papel está na palma da minha mão e a qualquer momento eu posso amassá-la e jogar na lixeira, uns poucos rabiscos que nela eu fiz. Rabiscos de caneta bic nos prédios baixos, um grafiteiro com uma blusa com um balão colorido desenhado no centro. Você jura? Atlântida é hoje, o calor faz derreter as plantas da janela. Um líquido verde começa a gotejar no parapeito do vizinho, no vaso-só, terra marom e raiz. Raiz derrete? É inverno e, no entanto, nunca houve verão tão rigoroso. Os tacos do apartamento começam a perder a solidez, ferrugem com madeira com farpas, os copos de vidro se desfazem, vidro é transparente, não dá pra ver derretendo. Aquela cidade é lixa de unha. Eu não consegui guardar nenhum cheiro daquela cidade ainda. Você jura? Você consegue? Aquela cidade não tem cheiro.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
Palavras eslavas
Havia qualquer coisa de velho naquela relação, qualquer coisa de duas pessoas fazendo tricô lado a lado numa cadeira de balanço, qualquer coisa de sonho já amassado, de vida perdida, de inocência pisada. Mesmo antes de alguma coisa brotar, de alguma coisa que poderia dar ao encontro um nome curto e capaz, mesmo antes tudo já era viciado, pobre. Viciadinho. Pobrezinho, enjoadinho, inho. Inhozinho. É que pra eu conseguir o encanto, agora, é preciso uma serie de coisas acontecerem, não juntas, não em ordem, não todas elas, mas há uma lista completa a se preencher, uma lista de nomes que eu nem sei quais são. Lista de coisas escritas em uma língua que eu não conheço, uma língua estrangeira do leste europeu. Minha lista é de nomes romenos, talvez, ou búlgaros. Língua travada e dura, a eslava. Budapeste é amarela ou cinza, afinal? Hoje o meu corpo está quente e eu sinto dor quando encosto nas coisas. Nestes dias eu sei que o contato da minha pele com qualquer outro corpo provoca incômodo, o sangue esquenta prontamente, os músculos iridescem. E qualquer tentativa é difícil de ser levada a cabo. Eu repito algumas das palavras que você gosta. Tentativa. Incômodo. Pele. Palavras chatas, tchecas. Amanha quando eu acordar de um sono que não sei como vai ser, talvez eu acorde com tentativa, incômodo e pele menos pedregosas, uma outra nota, um outro tom.
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